Wednesday, February 12, 2020

Por que não considero o Islã uma religião?

Porque aprendi a deixar de lado os preconceitos e me informar efetivamente a respeito dele.

Acontece que o Islã literalmente se proíbe de ser uma verdadeira religião. Religiões deveriam pelo menos se permitir o espaço necessário para aprender a reconhecer as mudanças sociais e se adequar a elas. O espaço adequado para ouvir as vozes mais sábias de seu próprio meio (e de fora) para rever a validade de seus pontos de doutrina e mudá-los quando conveniente ou necessário.

Principalmente, qualquer religião com um mínimo de respeito por si própria deveria ser capaz de reconhecer que o papel de uma religião verdadeira envolve conectar o absolutamente pessoal com o absolutamente geral, o concreto com o abstrato, a realidade áspera dos fatos com a natureza sublime dos ideais mais elevados.

O Islã literalmente não se permite tais recursos, que são essenciais para que possamos falar em verdadeira religião ou prática religiosa.

E é por isso que sua dialética é tão pobre, a ponto de causar comoção. O Islã, como qualquer outra doutrina, tem um percentual considerável de pessoas de boa fé e bom discernimento. E acaba por perdê-las continuamente, porque essas virtudes as levam eventualmente a aceitar a necessidade de se distanciar da doutrina teocêntrica e inconsequente que o Islã se obriga a ser.

O Islã não é uma religião, não tem uma compreensão mínima do que seria uma religião, e não sabe sequer respeitar o conceito de divindade ou a função básica da religiosidade de orientar a relação com a percepção do sagrado... exatamente porque está tão ocupado em exacerbar a sua peculiar idolatria do próprio conceito de divindade para aprender religiosidade funcional.

É uma doutrina influente, mas completamente desvirtuada, que sequer compreende o que seria teísmo saudável, o que seria religião, ou até mesmo o que seriam valores humanos básicos.

Nenhum de nós deve cometer o sério erro que seria estender a ele a consideração básica que uma prática religiosa merece.

Monday, February 10, 2020

O que Irshad Manji pode nos ensinar sobre o Islã, seu papel, sua relação com a religiosidade e seus possíveis futuros.

Recentemente tive a grande satisfação de descobrir uma entrevista de Ishrad Manji ao Al-Jazeera.

Me tornei fã da autora quase imediatamente, e desejo sinceramente sucesso aos seus projetos, embora discorde dela em alguns pontos significativos. Podemos aprender muito sobre o que o Islã é pela percepção da platéia a partir das reações às ideias e colocações da autora.

Em certo ponto, o entrevistador chega a acusar Ishrad Manji de estar propondo uma versão "faça você mesmo" do Islã. Em outros, pergunta por que ela não prefere confiar nos "especialistas" em questões de religião.

São situações deveras reveladoras, que mostram bem o quanto é difícil explicar o papel de uma religião para quem cresceu em um ambiente muçulmano.

Friday, January 17, 2020

Street Epistemology ("Epistemologia de Rua") - O que é, para que serve?

Epistemologia de Rua é uma técnica relativamente aberta que tem sido divulgada em anos recentes no meio cético, com resultados bastante positivos, para encorajar de forma não tão confrontacional o questionamento em adeptos de várias crenças.

Ainda é muito pouco conhecida, mas fornece meios para um diálogo respeitoso entre crentes e descrentes, ao mesmo tempo que sinaliza para melhor qualidade de crença (ou descrença) para os que a encontram.

O guia "oficial" em inglês pode ser encontrado em https://streetepistemology.com/publications/the_complete_se_guide ; as linhas gerais são explicadas em https://streetepistemology.com/publications/street_epistemology_the_basics .

Não tenho notícia de haver versões em português, mas talvez eu me decida a mudar essa situação.

Funções da prática religiosa - #1: Zelar pelo pós-vida

Do que trata esta série?

Nesta série de postagens, pretendo examinar separadamente algumas perspectivas frequentes a respeito do que viria a ser religiosidade e sua expressão.

Por que estou examinando perspectivas distintas sobre religiosidade?

Porque sou um ateu que considera a religiosidade algo importante demais para ser deixado por conta apenas dos teístas.

Mas também e principalmente porque considero o assunto importante e ainda assim perigosamente negligenciado. A variedade de perspectivas é grande, mas insuficientemente discutida ou mesmo reconhecida.

Uma atividade que lida tão diretamente com as motivações, valores, dores e esperanças da humanidade merece muito mais atenção e muito mais clareza de análise do que a religiosidade tem recebido de uma forma geral.

Os motivos por que essa situação está estabelecida são outro assunto que merece atenção. Posso vir a tratar dele em outras postagens futuras.

#1 - Religiosidade enquanto prática para garantir qualidade no pós-vida.

Descrições de outros autores

Bill Warner, que é crítico decidido do Islã, afirma que ainda assim pelo menos parte do Islã deve ser considerado como prática religiosa, e explica essa afirmação ao indicar que a finalidade desse aspecto do Islã seria "evitar o Inferno e alcançar o Paraíso".

Minha opinião sobre esta perspectiva

Esta não é uma perspectiva que eu vejo com simpatia. De fato, é uma que eu sequer considero legítima, ou digna de existir.

Na medida em que os valores e atitudes de pessoas reais podem de fato se beneficiar com esta preocupação, penso que resultados melhores e muito menos contaminados podem e devem ser buscados com narrativas mais racionais e menos supernaturalistas.

As armadilhas do apego ao pós-vida são muitas e bastante nocivas. Uma das mais fáceis de demonstrar é a sua afinidade com narrativas egoístas, desrespeitosas e anti-sociais: a partir do momento em que um grupo suficientemente coeso começa a cobrar uns dos outros uma atitude de "respeito" a uma narrativa específica de "conquista do paraíso", estabelece-se de imediato uma cultura de manipulação, intimidação e repressão. E como é impossível demonstrar evidências concretas do grau de validade dessa narrativa, ela se torna um dogma inquestionável para os que a apóiam, mesmo que passivamente.

Trata-se da receita clássica do terreno fértil para a corrupção.

Que alternativas devem ser consideradas?

Para quem vê apelo nesta perspectiva, pode ser bastante difícil encontrar um motivo para considerar outras, principalmente quando há encorajamento de família e amigos.

Ainda assim, considero necessário confrontar firmemente esta perspectiva e apresentar alternativas mais saudáveis a ela em cada oportunidade que se apresente.

Um caminho possível é certamente o de utilizar técnicas de epistemologia urbana para encorajar os afligidos a considerar quais motivos realmente tem para manter suas crenças. Preparando o terreno dessa forma pode vir a surgir brechas para propor atitudes menos especulativas e mais fundamentadas em fatos e eventos reais. Há bastante satisfação possível nessa mudança de atitude, inclusive a de estabelecimento de laços sociais e afetivos mais sólidos, mais livres de dogmatismo e a reserva emocional que vem com esse dogmatismo.

Thursday, January 16, 2020

Perspectivas sobre religiosidade, e por que elas são necessárias para "kuffar" como eu.

Contexto preliminar

Crenças e religiões. Um de meus assuntos favoritos, pois aparentemente eu não tenho tido suficiente oportunidade de convencer os outros de que estou inventando assuntos exóticos.

No entanto, quem está realmente inventando assuntos exóticos aqui? Afinal, exatamente por minha natureza de descrente na existência em divindades (e em supernaturalismo em geral) eu me vejo descomprometido por crenças exóticas como a de uma promessa de "vida após a morte", de algo que ninguém parece saber explicar mas chama mesmo assim de "livre-arbítrio", e de apego a contradições estilosas que quebram o gelo em encontros de igrejas.

Reconheço que há um apelo de "iniciados no hobby" nessas atitudes... mas por acaso é realmente isso o que deve ser considerado religiosidade, ou prática religiosa?

Me parece claro que não, não é esse o caso. De fato, não consigo ver essa insistência que alguns tem em afirmar que "é preciso crer" para ser religioso como algo muito próximo do que se costuma chamar de verdade.

Claro que "religião" e conceitos relacionados são sujeitos a interpretação - muito mais até do que se costuma admitir - mas para os fins deste artigo estou procurando me limitar às concepções de religiosidade que tem um valor prático. Não apenas porque eu valorizo os traços céticos e ateístas da minha perspectiva de vida, mas também e até mais ainda porque valorizo também os aspectos religiosos.


"Oi, o que te trouxe aqui?"

Existem muitos motivos diferentes para se procurar crenças e religiões. Eu definitivamente considero alguns desses motivos legítimos e construtivos, enquanto que outros não o são.

Existem momentos em que é importante deixar de lado os motivos exatos, mas em outros é igualmente importante trazê-los à tona e questionar sua validade.

Nesse particular me sinto enormemente frustrado com o que se entende normalmente por "religião" nesta cultura em que tive origem. Há tão pouca vontade de considerar os assuntos que realmente importam com a transparência que considero necessária! Fala-se tanto de "vida após a morte", de "certezas" exóticas e sem importância real, de "Deus Criador".

Quando me vejo imerso nessas narrativas, pode ser difícil manter minha paciência. Há momentos em que acho bem difícil conter a vontade de perguntar quando vamos parar de perder tempo e começar a falar de algum assunto que tenha importância.


Administrando diversidades, e por que Deus não é uma boa base para a prática religiosa

Qualquer pessoa que tenha procurado organizar uma equipe ou projeto sabe como é desafiador e frustrante lidar com grupos de pessoas que não tenham sido previamente selecionadas para minimizar desentendimentos e conflitos.

Grupos religiosos não são uma exceção, embora muitas vezes queiram tentar ser, com graus variados de honestidade e sucesso.

Um recurso frequente, mas bastante desaconselhável, que se usa para reduzir esse desafio é a confusão deliberada entre a crença em uma divindade e o interesse em participar da proposta do grupo.

De um ponto de vista antropológico, é um fenômeno interessante. A tendência natural das pessoas é buscar afinidades, formar grupos e tentar cooperar. Ao se apresentar algo tão indefinível quanto a "crença em Deus" como sendo de alguma forma equivalente a essa tendência, muitos grupos que se apresentam como religiosos causam bastante confusão e dano.

O que é uma crença, afinal, e que importância ela tem ou deve ter?

Poucos meses atrás eu estava em um fórum, participando de um tópico criado por um católico. A certa altura perguntei o que deveria fazer um membro de paróquia que eventualmente descobrisse que não acredita que a hóstia utilizada na Comunhão se transforma no Corpo de Cristo.

Trata-se de um dogma católico bem documentado e razoavelmente fácil de explicar, este da Transubstanciação. Mas até que ponto ele é importante, e até que ponto deveria ser percebido como importante?

A verdade é que simplesmente não é comum, nem muito bem visto, insistir em deixar claras as crenças exatas. E penso que de fato não se deve dar importância a esse tipo de divergência de crenças. Não faz o menor sentido insistir em que todos os membros de um grupo que está em harmonia em outros aspectos devam valorizar algo tão sem consequência quanto a "controvérsia" entre transubstanciação e consubstanciação (e a terceira alternativa, a crença de que hóstia e vinho são apenas hóstia e vinho).

Não se tem realmente tanto controle assim sobre as crenças sinceras das pessoas, nem seria bom tê-lo. E em qualquer caso, isso seria apenas uma distração dos assuntos produtivos que um grupo religioso pode vir a ter.

Tuesday, November 13, 2018

(Tradução de Artigo do Aeon) Can relationship anarchy create a world without heartbreak?

(Tradução inicial automática via Google Translate. O texto pode ter sido revisado manualmente após a tradução automática. Original em https://aeon.co/ideas/can-relationship-anarchy-create-a-world-without-heartbreak)

Você consegue imaginar um mundo sem mágoa? Não sem tristeza, desapontamento ou arrependimento - mas um mundo sem a aflição do amor perdido, ardente e que tudo consome. Um mundo sem mágoas é também um mundo onde os atos simples não podem ser transformados, como que por feitiçaria, em momentos de significância sublime. Porque um mundo sem coração partido é um mundo sem amor - não é?

Mais precisamente, pode ser um mundo sem a forma mais adulada do amor: o amor romântico. Para muitas pessoas, o amor romântico é o ápice da experiência humana. Mas sentimentos não existem em um vazio cultural. O tipo de amor do coração partido é uma experiência relativamente nova e culturalmente específica, mascarada como o sentido universal da vida.

Na cultura ocidental, o amor romântico hegemônico é marcado pelo que a psicóloga americana Dorothy Tennov, em 1979, chamou de "paixão" romântica e sexual, que idealmente evolui para uma parceria monogâmica e, muitas vezes, para o casamento. Assim, em culturas cada vez mais seculares, não espirituais e atomizadas, o amor romântico torna-se deificado.

Estar apaixonado, segundo os cientistas, tem uma base biológica, mas a forma como experimentamos isso não é inevitável. Durante grande parte da história humana, o que hoje chamamos amor romântico teria sido chamado de doença; o casamento era sobre ativos e reprodução.

A Revolução Industrial mudou as coisas. Novas realidades econômicas e valores de iluminação sobre a felicidade individual significavam que o amor romântico importava. Enquanto o casamento permaneceu - e permanece - intimamente ligado ao controle patriarcal, alcançou uma nova qualidade. Realização emocional, intelectual e sexual ao longo da vida - e monogamia para os homens, não só para as mulheres - tornou-se o ideal. Desde então, esse tipo de relacionamento foi propagado pela cultura capitalista.

O fato de que o desgosto está ligado a esta recente história romântica é improvável que seja muito conforto para aqueles em desespero. O fato de as emoções serem refratadas pela cultura provavelmente não reduzirá sua potência.

Há pouco além do amor romântico que muitos irão perseguir tão obstinadamente, sabendo que é provável que resulte em agonia. Seja por meio de conflito, traição ou separação, é quase certo que o amor acabe em desgosto. Mesmo em parcerias bem-sucedidas, alguém acabará morrendo. Não é de admirar que o desgosto seja prontamente aceito como o preço do amor romântico; Somos socializados para acreditar que esse tipo de relação é nossa razão de ser.

Mas desgosto não é o único problema com nossos roteiros românticos. O amor romântico convencional está enraizado em estruturas opressivas. Os encargos do trabalho emocional e doméstico ainda caem desproporcionalmente sobre as mulheres. Os casais heterossexuais, brancos, sem deficiência, cis, monogâmicos, magros e heterossexuais (idealmente casados ​​e com filhos) são considerados o ideal amoroso, com pessoas que não se encaixam nesse molde muitas vezes discriminadas. Aqueles que não têm parcerias românticas ou sexuais, seja por escolha ou não, podem se sentir alienados e sozinhos, apesar de terem outros relacionamentos significativos.

Mesmo se pudéssemos salvar o amor romântico de seus piores companheiros - por exemplo, se eliminássemos seu heterossexismo - o fato permanece: é provável que acabe em lágrimas, até mesmo doença mental ou física. Pior ainda, as percepções do amor romântico como avassalador significam que ele é usado para explicar a violência.

E se houvesse uma maneira de colher as profundezas e alturas do amor sem o desgosto?

O amor romântico tem o potencial de causar agonia, porque damos a essas uniões um imenso peso sobre os outros. Nessa cultura de amor, as parcerias românticas e sexuais são elevadas a tal ponto que "relação" é geralmente uma abreviatura de romântico. E quanto a todos os outros relacionamentos que podemos ter em nossas vidas?

O conceito de "anarquia de relacionamento", cunhado em 2006 pelo feminista sueco e cientista da computação Andie Nordgren, propõe que a forma como construímos, conduzimos e priorizamos nossos relacionamentos deve ser nossa. Não é uma filosofia libertária “livre para todos”, mas uma com empatia, comunicação e consentimento em seu coração. É distinto de não-monogamia ou poliamor; pode ou não conter elementos de ambos. Ao questionar “maneiras comuns” de fazer relacionamentos, as pessoas podem criar laços de acordo com suas crenças, necessidades e desejos. Crucialmente, a anarquia de relacionamento significa que o amor romântico tradicional não é automaticamente colocado no topo de uma hierarquia de relacionamentos "menos".

Embora o conceito de "anarquia" seja radical, uma pessoa guiada por essa abordagem pode ter uma vida surpreendentemente comum. Para alguns, isso poderia significar simplesmente olhar de novo para um casamento acalentado e decidir que a vida seria mais rica se as amizades fossem igualmente cultivadas. Ou perceber que "o amor da sua vida" ainda não foi encontrado, mas na verdade já está lá, esperando para ser promovido, em você ou na sua comunidade.

Para outros, engajar-se na anarquia do relacionamento pode significar fazer e refazer os relacionamentos de uma vida a partir do zero. Por exemplo, libertando-se da noção de que uma parceria romântica deve seguir um caminho predeterminado e, em vez disso, negociar relacionamentos múltiplos, amorosos, eticamente não monogâmicos, que possam fluir ao longo do tempo. Isso poderia significar decidir criar filhos dentro de um relacionamento platônico, emocionalmente íntimo entre três pessoas, e ter conexões sexuais fora disso - ou absolutamente nenhuma.

Assim, a ideia de que todos são únicos se amplia e, quando todo relacionamento é único, as possibilidades são infinitas. Uma vez que nos permitimos questionar o amor, parece não apenas ridículo, mas autoritário que a arena infinitamente complexa das relações humanas seja adequada a uma abordagem do tipo "tamanho único".

Cardápio de Anarquia de Relacionamentos

Para formar seus relacionamentos você e outra pessoa podem escolher qualquer número de "itens" de qualquer número de bandejas. Pode ser uma porção generosa, ou apenas uma degustação leve. O prato que vocês dois (ou mais pessoas) montam é o seu relacionamento.

Lembrem-se de que vocês precisam estar de acordo quanto aos ingredientes! Nada de contrabandear itens para dentro sem o conhecimento do outro. Do contrário, quase certamente haverá conflito ou desapontamento mais adiante.

Além disso, como é o seu prato, se vocês decidirem mais adiante que querem mudar a composição, isso é completamente válido.

 
 

Romântica

Reações químicas, Sentimentos de amor.

 

Amizade

Companheirismo, Brincadeiras, Atividades e interesses partilhados.

 

Doméstico

Partilhando uma residência ou lar.

 

Sexual

Envolvendo genitais, contato físico íntimo, orgasmos?

 
 
 

Toque Físico

Dança, Sexo, Contato corporal, Afagos, Abraços, Acolhida, Mãos dadas, Massagem.

 

Parceiros para a vida toda

Partilham objetivos (de longo prazo ou para a vida toda), apóiam-se mutuamente diante de mudanças significativas.

 

Cuidador

Presta cuidados a, Recebe cuidados de.

 

Co-cuidadores

Crianças, Animais, Plantas, Família (doentes, idosos, necessidades especiais).

 
 
 

Intimidade Emocional

Partilha e Exposição de Vulnerabilidades.

 

Apoio Emocional

Presta atenção, Recebe pedidos de conselhos, Ouve confidências.

 

Colegas Sociais

Vistos juntos: Eventos, Amigos, Família, Trabalho, Mídias Sociais.

 

Financeiro

Partilhando: dinheiro, contas, responsabilidades financeiras, propriedades.

 
 
 

"Kink"

Sadomasoquismo, Masoquismo, Sadismo

 

Dinâmica de Poder

Patrão/empregado, Professor/aluno, D/s, M/s, "Age play", "Pet play".

 

Parceiros Colaborativos

Ensino, Projetos, Arte, Organizações.

 

Colegas de Trabalho

Uma combinação de parcerias Colaborativas, Financeiras e Sociais.

 
 

(Traduzido e adaptado a partir da imagem do Reddit integrada ao texto original em inglês)

Não é difícil ver como a anarquia de relacionamento pode aliviar o desgosto. É amplamente aceito que ter bons amigos para voltar a cair ajuda a curar um coração partido. Mas na anarquia do relacionamento, os amigos são mais do que apólices de seguro. Nós não abandonaríamos os amigos enquanto "parássemos", apenas para pegá-los ao enviar convites de casamento, ou amamentar corações partidos. Em vez disso, honraríamos consistentemente todos os nossos valiosos títulos. Se concedêssemos nossos relacionamentos mais variados ao investimento que geralmente concedemos desproporcionalmente a uma pessoa, esses laços provavelmente se tornariam tão vitais para a saúde de nossos corações quanto qualquer parceiro sexual ou romântico.

Os anarquistas de relacionamento podem criar uma "vida de amor" que não depende de um parceiro romântico que seja "seu mundo", mas de uma tapeçaria de conexões profundas - seja platônico, romântico ou sexual. Como Nordgren escreve em seu manifesto, "o amor é abundante", não um "recurso ilimitado que só pode ser real se restrito a um casal". Redistribuir o amor não dilui o amor que sentimos por uma pessoa especial e querida. De fato, construir uma rede de conexões íntimas pode fortalecê-las - em parte porque fortalece nosso relacionamento conosco.

A anarquia do relacionamento não eliminará o desgosto - mas provavelmente não o quereríamos. Essa profundidade de sentimento é muitas vezes bonita e responsável por grande parte das artes. Como o amor em si, o coração partido escava as almas e dizima os egos, obrigando-nos a olhar para as nossas fendas mais profundas e a aprender coisas que de outra forma não poderíamos. No aperto aparentemente impiedoso do coração, temos uma rara oportunidade de renascimento.

Certamente, um mundo sem mágoas é um mundo sem o tipo de vulnerabilidade que nos faz saber que estamos vivos. Da mesma forma, ter consciência de como nos relacionamos com nós mesmos e com os outros - em vez de privilegiar automaticamente um tipo de relacionamento - pode nos capacitar a construir uma vida tão rica que não nos sentimos como se tivéssemos perdido tudo quando perdemos um amor entre muitos.Aeon counter – do not remove

Sophie Hemery

This article was originally published at Aeon and has been republished under Creative Commons.

Thursday, November 8, 2018

Um esboço da minha perspectiva sobre a natureza e a origem da Ética.

Um episódio recente de "The Good Place" enumerou (corretamente, até onde sei) os três grupos principais de modelos sobre a natureza e a origem da Ética.

Ética das Virtudes
Apresenta a Ética como a expressão de qualidades que chama de virtudes.
Consequencialismo
Se baseia na ideia de que o valor moral de uma ação é definido pelas suas consequências.
Deontologia
Acredita que as ações são inerentemente certas ou erradas - ou seja, entende que a ética é, em essência, a obediência às regras "corretas".

Meu entendimento é de que, dos três modelos, o Consequencialismo é claramente o que tem mais mérito, seguido de longe pela Ética das Virtudes, com a Deontologia definitivamente em último.

A grande fragilidade da Deontologia está em seu próprio conceito, e pode ser percebida através da análise franca de suas consequências lógicas. Pois se a Ética fosse obtida pelo mero seguimento de regras, ela seria, mesmo em condições ótimas, no máximo apenas tão boa quanto uma forma de obediência. Essa é uma visão por demais passiva de uma disciplina tão necessária. Passiva, e em última análise necessariamente incompleta.

O que nos leva ao Consequencialismo, que nos apresenta a Ética em sua forma mais realizada e mais nobre: como um desafio racional permanente, um mistério que se por um lado é solucionável, por outro lado se renova e se reapresenta constantemente.

Isso ocorre porque o modelo de ética do Consequencialismo, ao contrário da passividade rígida e estéril sugerida pela submissão a regras que a Deontologia espera, é um verdadeiro alvo móvel. Os limites da capacidade ética de um agente são definidos pela sua própria capacidade de análise e raciocínio, e cada nova realização moral amplia essas fronteiras, impondo desafios éticos ainda mais amplos, mais ambiciosos, mais complexos. Bastante cedo nesse caminho se percebe que uma das obrigações éticas básicas é a da aceitação da responsabilidade que nasce com a capacidade racional. A Ética é consequência necessária e inevitável do encontro da capacidade de ação com a capacidade de análise das consequências possíveis e prováveis. Quanto mais racional uma entidade, maior a sua obrigação ética e maior o seu poder de análise ética.

A Ética das Virtudes, em contraste com os outros dois modelos, não deixa de ser o seu lugar. Entendo porém que esse lugar não é o de alternativa aos outros dois, mas de forma de expressão das diretrizes consequencialistas. É, por assim dizer, uma técnica. Uma técnica que, com os devidos cuidados e verificações, pode ser bastante útil para a expressão e desenvolvimento dos valores da Ética consequencialista.

Wednesday, November 7, 2018

Mira Fujita é mais conhecida por seus lindos pierrôs, mas esta é minha favorita entre suas pinturas: "Rosie".

Monday, November 5, 2018

Artigo de Aeon: "Believing without evidence is always morally wrong" (Crença sem evidência sempre é moralmente errada), por Francisco Mejia Uribe


Você provavelmente nunca ouviu falar de William Kingdon Clifford. Ele não está no panteão dos grandes filósofos - talvez porque sua vida tenha sido interrompida aos 33 anos -, mas não consigo pensar em ninguém cujas idéias sejam mais relevantes para nossa era digital interconectada, movida pela IA. Isso pode parecer estranho, já que estamos falando de um bretão vitoriano cujo trabalho filosófico mais famoso é um ensaio há quase 150 anos. No entanto, a realidade alcançou Clifford. Sua alegação aparentemente exagerada de que "é errado sempre, em todo lugar, e para qualquer um acreditar em qualquer coisa com base em evidências insuficientes", não é mais uma hipérbole, mas uma realidade técnica.

Em "A Ética da Crença" (1877), Clifford apresenta três argumentos sobre por que temos a obrigação moral de acreditar com responsabilidade, isto é, acreditar apenas naquilo para o qual temos provas suficientes e no que investigamos diligentemente. Seu primeiro argumento começa com a simples observação de que nossas crenças influenciam nossas ações. Todos concordam que o nosso comportamento é moldado pelo que consideramos verdadeiro sobre o mundo - ou seja, pelo que acreditamos. Se eu acreditar que está chovendo lá fora, trago um guarda-chuva. Se acredito que os táxis não aceitam cartões de crédito, garanto que tenho algum dinheiro antes de entrar em um. E se eu acreditar que roubar é errado, então vou pagar pelos meus bens antes de sair da loja.

O que acreditamos é, então, de enorme importância prática. Falsas crenças sobre fatos físicos ou sociais nos levam a maus hábitos de ação que, nos casos mais extremos, poderiam ameaçar nossa sobrevivência. Se o cantor R Kelly realmente acreditasse nas palavras de sua música "I Believe I Can Fly" (1996), posso garantir que ele não estaria por perto agora.

Mas não é apenas nossa própria preservação que está em jogo aqui. Como animais sociais, nossa agência impacta nos que nos rodeiam, e a crença imprópria coloca nossos companheiros humanos em risco. Como Clifford adverte: "Todos nós sofremos bastante com a manutenção e apoio de falsas crenças e as ações fatalmente erradas que elas levam a ..." Em suma, práticas desleixadas de formação de crenças são eticamente erradas porque - como seres sociais - quando acreditamos alguma coisa, as apostas são muito altas.

A objeção mais natural a esse primeiro argumento é que, embora possa ser verdade que algumas de nossas crenças realmente levam a ações que podem ser devastadoras para os outros, na realidade, a maior parte do que acreditamos é provavelmente irrelevante para nossos semelhantes humanos. Como tal, alegar que Clifford fez que é errado, em todos os casos, acreditar em evidências insuficientes parece ser uma extensão. Eu acho que os críticos tinham um ponto - tinha - mas isso não é mais assim. Em um mundo em que quase todas as crenças são instantaneamente compartilháveis, com custo mínimo, para um público global, cada crença única tem a capacidade de ser verdadeiramente consequencial na maneira como Clifford imaginou. Se você ainda acredita que isso é um exagero, pense em como as crenças formadas em uma caverna no Afeganistão levam a atos que encerram vidas em Nova York, Paris e Londres. Ou considere o quão influentes as divagações que passam pelos seus feeds de mídias sociais se tornaram no seu próprio comportamento diário. Na aldeia digital global em que agora habitamos, falsas crenças lançam uma rede social mais ampla, portanto o argumento de Clifford pode ter sido hipérbole quando ele o fez pela primeira vez, mas não é mais assim hoje.

O segundo argumento que Clifford fornece para sustentar sua alegação de que é sempre errado acreditar em evidências insuficientes é que as más práticas de formação de crenças nos transformam em crentes descuidados e crédulos. Clifford coloca bem: "Nenhuma crença real, por mais insignificante e fragmentária que possa parecer, é realmente insignificante; nos prepara para receber mais de seu gosto, confirma aqueles que se pareciam com isso antes e enfraquecem os outros; e assim gradualmente lança um trem furtivo em nossos pensamentos mais profundos, que um dia pode explodir em ação aberta, e deixar sua marca em nosso caráter. ”Traduzindo o aviso de Clifford para nossos tempos interconectados, o que ele nos diz é que crenças descuidadas nos tornam fáceis presa por falsas notícias, teóricos da conspiração e charlatões. E deixar-nos tornar hospedeiros dessas falsas crenças é moralmente errado porque, como vimos, o custo do erro para a sociedade pode ser devastador. O alerta epistêmico é hoje uma virtude muito mais preciosa do que nunca, já que a necessidade de filtrar informações conflitantes aumentou exponencialmente, e o risco de se tornar um recipiente de credulidade está a apenas alguns toques de distância de um smartphone.

O terceiro e último argumento de Clifford a respeito de por que acreditar sem provas é moralmente errado é que, em nossa capacidade de comunicadores de crença, temos a responsabilidade moral de não poluir o poço do conhecimento coletivo. No tempo de Clifford, a maneira pela qual nossas crenças foram tecidas no "depósito precioso" do conhecimento comum foi principalmente através da fala e da escrita. Devido a essa capacidade de comunicação, "nossas palavras, nossas frases, nossas formas, processos e modos de pensamento" tornam-se "propriedade comum". Subverter essa "herança", como ele chamava, adicionando crenças falsas é imoral porque as vidas de todos, em última instância, dependem desse recurso vital e compartilhado.

Enquanto o argumento final de Clifford soa verdadeiro, novamente parece exagerado afirmar que toda pequena crença falsa que abrigamos é uma afronta moral ao conhecimento comum. No entanto, a realidade, mais uma vez, está se alinhando com Clifford e suas palavras parecem proféticas. Hoje, nós realmente temos um reservatório global de crenças no qual todos os nossos compromissos estão sendo meticulosamente adicionados: é chamado de Big Data. Você nem precisa ser um ativo netizen postando no Twitter ou rantando no Facebook: mais e mais do que fazemos no mundo real está sendo gravado e digitalizado, e a partir daí os algoritmos podem facilmente inferir o que acreditamos antes mesmo de expressar uma vista. Por sua vez, esse enorme conjunto de crenças armazenadas é usado por algoritmos para tomar decisões sobre nós e sobre nós. E é o mesmo reservatório que os mecanismos de busca usam quando buscamos respostas para nossas perguntas e adquirimos novas crenças. Adicione os ingredientes errados à receita de Big Data e o que você obterá será uma saída potencialmente tóxica. Se houve um tempo em que o pensamento crítico era um imperativo moral, e a credulidade um pecado calamitoso, é agora.Aeon counter – do not remove

Francisco Mejia Uribe

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Wednesday, October 31, 2018

Uma tentativa de entender o que aconteceu

Medium.com: "Why Brazil elected a fascist as president (and how it sadly makes sense)", por Romario Aiks.

Muita coisa nesse texto é suspeita ou, na minha opinião, por demais parcial. Mas ainda assim há alguns insights interessantes disponíveis para colheita.

Temos tempos bastante difíceis pela frente nas próximas décadas.

Friday, October 5, 2018

Artigo da Aeon: "O Desapego Budista Ajuda a Socializar de Forma Mais Saudável?"



Humanos são animais sociais. Nós vivemos em grupos. Nós nos preocupamos com nossos filhos por anos. Nós cooperamos uns com os outros (apesar do Congresso dos Estados Unidos).Acima de tudo, temos relacionamentos duradouros com outros seres humanos - o que os biólogos chamam de ligações de par de longo prazo.

Alguns desses títulos de pares, você certamente notou, são mais saudáveis ​​do que outros. É aí que entra o campo da ciência do relacionamento. Os cientistas de relacionamento estudam como construir e manter relacionamentos fortes e íntimos. Realizamos experimentos de laboratório para entender os fatores que fazem um relacionamento florescer ou murchar.

Nos últimos anos, alguns pesquisadores da ciência do relacionamento, inclusive nós, recorreram a um recurso surpreendente de inspiração: o budismo. Dizemos "surpreendente" porque um dos princípios centrais do budismo é abandonar os fortes apegos, mas um relacionamento é a própria definição de um forte apego. Como essas idéias opostas podem ser reconciliadas? E o que a ciência tem a dizer?

Vamos começar com algumas noções básicas sobre biologia. Em um relacionamento saudável, você se sente bem quando seu parceiro está por perto. Nenhuma surpresa lá. Mas você pode não saber que o bom sentimento acontece porque você e seu parceiro regulam o sistema nervoso um do outro.

O processo começa com o seu cérebro. Ao contrário da crença popular, o trabalho mais importante do seu cérebro não é pensar. Ele mantém todos os sistemas biológicos em seu corpo para que seus órgãos, hormônios e sistema imunológico funcionem eficientemente e permaneçam equilibrados. Seu cérebro faz isso prevendo e satisfazendo suas necessidades corporais 24 horas por dia, 7 dias por semana. Se você precisa se levantar, por exemplo, seu cérebro prevê e executa uma mudança (esperançosamente) apropriada na pressão sanguínea para que você não desmaie. Se o seu cérebro prevê que você vai estar com pouco sal, você vai desejar alimentos salgados. E assim por diante.

Este processo contínuo é como executar um orçamento para o seu corpo. Pense no seu orçamento financeiro, onde você acompanha seus rendimentos e gastos para tentar se manter solvente. Seu cérebro faz a mesma coisa, mas em vez de dinheiro, ele arrecada recursos como água, sal e glicose. Se um orçamento financeiro vai para o vermelho (digamos, quando você toma um empréstimo para comprar um carro), você tem que pagar de volta o que você emprestou e, se tudo correr bem, então com o tempo seu orçamento permanece em grande parte em equilíbrio. O mesmo vale para o orçamento do seu corpo: você pode correr até a exaustão, mas deve reabastecer ou "devolver" seus recursos descansando, comendo e bebendo. O nome científico para esse ato de equilíbrio é a alostase . O objetivo do cérebro é manter um orçamento corporal equilibrado a maior parte do tempo e pagar as dívidas que surgirem. Esse processo deve ser rápido e eficiente, porque o equilíbrio orçamentário é, em si, um esforço caro para o cérebro.

Ora aqui está a parte legal. Os humanos ajudam a equilibrar os orçamentos corporais um do outro. Quando um bebê nasce, os adultos em sua vida regulam seu orçamento corporal alimentando-a, acariciando-a e falando com ela. Eles ensinam quando adormecer no momento certo. Eles jogam com ela e lêem para ela. Essas atividades fornecem o orçamento do corpo que ela precisa para o cérebro se desenvolver normalmente. Esta é a base biológica do apego entre uma criança e seus cuidadores. Eventualmente, a criança torna-se capaz de regular seu próprio sistema nervoso e equilibrar seu próprio orçamento corporal, mas o orçamento comunitário nunca pára completamente.

O apego entre adultos funciona de forma semelhante. A maioria de nós pode vestir-se e alimentar-se e saber quando colocar um suéter para regular nossa temperatura, mas também precisamos lidar com as exigências de um emprego, falta de sono e não há tempo para exercitar, comer muitos pseudo-alimentos, talvez vivendo ou trabalhando em condições barulhentas ou lotadas, e lutando contra os idiotas que bloqueiam nosso caminho de vez em quando. Administrar um orçamento corporativo neste mundo é uma tarefa monumental. Então, precisamos de outras pessoas ao nosso redor para ajudar a manter nosso orçamento estável e permanecer saudável.
Qual é o custo de não ter anexos saudáveis ​​para outras pessoas? Os cientistas que estudam a solidão deram uma resposta clara: um risco de morte 30 por cento maior quando os que relataram isolamento no momento da entrevista inicial foram acompanhados sete anos depois. Isso é mais alto do que o risco de morrer de uma doença bem conhecida, como a obesidade.Um único cérebro solitário gasta tantos recursos tentando manter o equilíbrio que começa a gerar um déficit de longo prazo. O cérebro então trata o corpo como se estivesse doente. Se esse processo se prolonga por tempo suficiente, o sistema imunológico se envolve e o resultado pode ser diabetes, doença cardíaca, depressão, câncer ou outras doenças relacionadas ao metabolismo .

Relacionamentos saudáveis ​​ajudam você a viver mais. Você e seu parceiro inconscientemente regulam o sistema nervoso um do outro para seu benefício mútuo. Seus batimentos cardíacos sincronizam. Então a sua respiração. Até seus hormônios se alinham. Em momentos de estresse, um abraço , uma carícia leve ou uma palavra amável de seu parceiro ajudam a aliviar sua carga de orçamento corporal. Compartilhar esse fardo é a base biológica do apego.

A melhor coisa para o seu sistema nervoso é outra pessoa. Infelizmente, a pior coisa para o seu sistema nervoso também é outra pessoa. Um relacionamento doentio pode estragar o orçamento do seu corpo e, com isso, sua saúde e sua vida. Então, o que faz para um relacionamento saudável ou insalubre, e como você mantém um? O budismo oferece um conjunto de diretrizes sobre como tratar seu parceiro (e você mesmo) para minimizar o sofrimento. A lógica aqui não é direta e requer alguma explicação, então aqui está uma breve introdução sobre o budismo.
O budismo existe há milhares de anos. Alguns pensam nisso como uma religião, outros como um conjunto de princípios para viver uma boa vida. De qualquer forma, milhões de pessoas no mundo ocidental perceberam que você não precisa ser um budista para entender e experimentar algumas de suas idéias. Numerosos livros explicam como aplicar o budismo para ser mais feliz, mais saudável e mais atento. Mas o budismo é mais do que apenas uma razão para comprar uma almofada de meditação. Ele contém alguns segredos irônicos para um relacionamento mais satisfatório e de qualidade.

Uma idéia fundamental do budismo é que tudo muda constantemente. Qualquer objeto, como uma tulipa vermelha em seu jardim, muda a cada momento. Suas cores mudam dependendo da luz. O brilho em suas pétalas muda dependendo da umidade do ar. Colocada no local errado, como uma horta, uma tulipa deixa de ser uma flor e se torna uma erva daninha. A tulipa não tem essência única e imutável. O mesmo é verdade para você. Você é real - você existe - mas, de uma perspectiva budista, você não tem uma identidade intrínseca separada das coisas que estão acontecendo ao seu redor. Sua identidade é constituída no momento, em parte, pela sua situação.

Se você acredita que tem um "eu" único, consistente e imutável, que o define de maneira única, essa crença, de acordo com a filosofia budista, é a base do sofrimento humano. Aqui, o sofrimento não é meramente desconforto físico, como ter a gripe ou fechar uma porta na sua mão. O sofrimento é pessoal: você vai se esforçar para evitar se sentir mal de alguma forma.Você se preocupará constantemente com sua reputação ou com o fato de não cumprir os padrões criados pelos outros. Nesse sentido, acreditar que você tem um eu verdadeiro é pior do que uma doença física passageira; é uma aflição permanente (tradução: um orçamento corporal desequilibrado cronicamente).

Muitas pessoas passam a vida acreditando que têm uma identidade essencial imutável. Eles geralmente também acham que seus amigos, familiares, conhecidos e amantes também têm sentimentos duradouros. Não é de admirar, porque nos descrevemos dessa maneira o tempo todo. Nós saímos em encontros e questionamos uns aos outros sobre como somos. Em entrevistas de emprego, a pergunta clássica é: "Conte-me sobre você". Zilhões de pesquisas que você vê online e em revistas pedem para você se descrever: você é um introvertido ou extrovertido? Uma pessoa de cachorro ou pessoa de gato? Quando respondemos a esses tipos de perguntas, estamos quase sempre procurando revelar as características imutáveis ​​de uma identidade central e duradoura.

Aprecie a tulipa porque está lá, não porque você está lá
O budismo adverte que o eu duradouro é uma ilusão. Em vez disso, o seu "eu" depende do contexto. É normal ser amigável em uma situação, tímido em outra e rude em uma terceira.Quando você se apega à ficção de que você tem uma verdadeira, duradoura e importante autoconhecida como reificando o eu - isto te prepara para uma vida miserável. Você anseia por coisas materiais que reforcem essa ficção. Você vai desejar riqueza. Você vai querer poder. Você vai se agarrar a elogios e adoração dos outros, mesmo que sejam mentiras. Mas o verdadeiro problema aqui não é que os outros o enganem, mas que você está enganando a si mesmo. Essas ânsias são algemas de ouro que trazem prazer imediato, mas também, reforçando seu eu ilusório, prendem você e causam sofrimento persistente, emoção negativa e escravidão a uma existência frágil e ficcional.

Uma das principais ferramentas do budismo para evitar a reificação do eu (ou objetos no mundo) é a meditação da atenção plena. De acordo com certos estilos de filosofia budista, todas as experiências humanas podem ser divididas em elementos básicos, como 'átomos' que compõem pensamentos, sentimentos e percepções. Sabedoria, em termos budistas, significa experimentar esses elementos básicos diretamente, sem a névoa de desejos e desejos que vêm junto com a crença em um eu imutável. A meditação da atenção plena pode romper a ilusão de que objetos e outras pessoas e até mesmo você são iguais de momento a momento. Então podemos ver as coisas como elas realmente são, experimentando cada momento como uma sensação crua sem implicação além do momento em si.

Por exemplo, se você encontrar uma tulipa invasora em sua horta, pode ficar tentado a arrancá-la do chão ou pegá-la para dar ao seu amado. Uma perspectiva budista seria que você está vendo a tulipa através de um filtro de suas próprias necessidades e desejos, que estão ligados à sua idéia ilusória de si mesmo. Para ver a tulipa como ela realmente é, você deve deixar de lado as histórias auto-focadas sobre a tulipa - como ela não pertence lá, ou o quanto sua amante gostaria - e experimentar a tulipa de uma forma que não tem relação com a sua tulipa. necessidades próprias. Observe sua cor bonita. Fique impressionado com o poder da natureza. Experimente a ironia de uma flor que floresce entre as leguminosas. Aprecie a tulipa porque está lá, não porque você está lá. Na filosofia budista, esta é uma faceta fundamental da sabedoria.

O que essa sabedoria significa na prática? Você pode usá-lo para acessar sua própria experiência com mais clareza. Quando você se sente furioso e tem um batimento cardíaco acelerado e uma sobrancelha suada, é fácil ser pego em uma história sobre essa fúria e até alimentar mais dela. Mas a meditação pode ajudá-lo a cuidar dos batimentos cardíacos e da transpiração como sensações puramente físicas, e deixar a raiva se dissolver. Na terminologia budista, você está desconstruindo sua raiva - e seu eu ilusório - em seus elementos básicos e adquirindo sabedoria no processo. Desconstruir o eu não é fácil: pode levar anos para se tornar hábil nisso (basta perguntar a um monge budista), mas é possível com a prática.
Outra aplicação prática dessa sabedoria é o simples reconhecimento da mudança. Um olhar atento para a tulipa revela uma mudança constante, e isso é verdade também para você. Então, por exemplo, você poderia ser escrupulosamente honesto um dia e um trapaceiro skunk no próximo, e nenhum deles representa o seu eu verdadeiro porque você não tem um. Você está simplesmente configurado de maneira diferente nas duas situações. Esse tipo de perspectiva pode cultivar a compaixão por você mesmo quando você se comporta mal ou estraga tudo.Você não é intrinsecamente uma pessoa ruim - você apenas se comportou mal em algum contexto.

ideia de um eu em constante mudança é ecoada na psicologia moderna. Às vezes você se representa pela sua carreira. Às vezes você é um amigo. Às vezes você é pai ou filho ou amante.Às vezes você é um músico, um artista, um cozinheiro, um faz-tudo. Às vezes você é apenas um corpo. Psicólogos sociais modelam essa diversidade como "múltiplos eus", com base em uma pesquisa pioneira na década de 1980 feita pela psicóloga social Hazel Markus, que mostrou que as pessoas têm um repertório de eus diferentes para ocasiões diferentes.

Todas essas idéias se aplicam não apenas ao seu próprio eu, mas também ao eu dos outros. Quando você reifica alguém, você confunde a pessoa que está com você no momento presente como duradoura no tempo, sem mudança. Assim, aquele "ex-psicopata" com quem você namorou no ano passado é tanto um "psicopata" quanto um "ex" hoje e para sempre. Essa mentalidade é vista como uma barreira à compaixão que aumenta o sofrimento no mundo. Em vez disso, o budismo sugere que você tente ver outras pessoas como elas realmente são, até mesmo seu ex. Quando você não as reifica em termos de suas próprias necessidades - pense na tulipa aqui - você pode mais facilmente ter compaixão por elas. No processo, você reduz o sofrimento deles e o seu.

À primeira vista, o budismo parece em desacordo com a evidência científica de que as pessoas são animais sociais. Sabemos que os fortes apegos a outras pessoas são vitais para a sua saúde; sem eles, você murcha e morre mais cedo. O budismo, por outro lado, sugere que as relações que envolvem apegos fortes podem ser problemáticas, precisamente porque esses apegos dificultam a visão clara de nós mesmos e dos outros. Mas ironicamente, o pensamento budista também oferece algumas sugestões convincentes para construir e manter laços saudáveis ​​que são ecoados na emergente ciência dos relacionamentos.
A primeira sugestão é não reificar seu parceiro . Você já ouviu um amigo reclamar sobre seu parceiro (ou ex), dizendo: 'Ele não é o homem que eu pensei que ele era', ou 'Ela é uma pessoa diferente agora'? Em termos budistas, seu amigo está sofrendo porque ele reificou seu parceiro a serviço de se reificar. É uma história comum. Duas pessoas se conhecem, elas se conhecem e experimentam sentimentos fortes um pelo outro com base nesse conhecimento. Em termos neurocientíficos, sentimentos fortes por outra pessoa são sempre acompanhados pelas crenças do cérebro sobre como a outra pessoa é. Essas crenças, que os neurocientistas chamam de previsões , são como um filtro através do qual você aprende e experimenta a outra pessoa em termos de suas próprias necessidades. Esses filtros preparam você para reificar seu eu fictício e seu parceiro.

A filosofia budista oferece outro caminho. Paixão, desejo e intensidade de sentimento não são necessariamente ruins se você os aproveitar para entender quem é a outra pessoa - não um eu imutável, mas um indivíduo em uma determinada situação. Vá em frente e tenha sentimentos fortes, mas deixe a história sobre o seu parceiro (isto é, resista às previsões) acompanhando esses sentimentos. Em vez disso, trate os sentimentos como um sinal para saber quem é seu parceiro agora, no momento. Esteja aberto para aprender algo novo (ou, como dizem os neurocientistas, aprendendo "erro de previsão").

A ciência do relacionamento sugere que os relacionamentos amorosos são mais saudáveis ​​quando você e seu parceiro se vêem sob uma luz irrealista positiva. Esse fenômeno, chamado de ilusões positivas, envolve exagerar ou mesmo imaginar qualidades positivas em seu parceiro. Curiosamente, há evidências de que ilusões positivas podem reforçar relacionamentos saudáveis. Casais que se idealizam sentem-se mais satisfeitos em seu relacionamento. De uma perspectiva budista, no entanto, esses tipos de ilusões geralmente emergem da necessidade de se apegar ao seu senso de eu reificado. No longo prazo, eles podem levar a expectativas irrealistas e decepções. Em vez disso, tente acentuar o positivo sem as ilusões. As pessoas estão mais satisfeitas com seus casamentos quando seus cônjuges vêem virtudes nelas que não se vêem. Uma maneira fácil de fazer isso é ver as ações do seu parceiro na luz mais caridosa .

Por exemplo, suponha que seu cônjuge esteja desatento aos detalhes e empurre os itens para dentro da geladeira sem considerar o que pode ser derrubado. Você poderia enquadrar esse comportamento como estupidez, ou em termos da inconveniência que isso causa a você, ou até mesmo como uma ilusão positiva ("Ele é um gênio distraído"). Ou, em vez disso, você poderia enquadrar esse comportamento de uma forma mais caridosa: o seu cônjuge tem muito em mente, ou está envelhecendo. Você pode até ver a desatenção do seu cônjuge como uma qualidade positiva, como não notar esse novo rolo de papel no meio.

Quando você vê as ações de seu parceiro sob uma luz de caridade, você não está criando uma ficção, você está reconhecendo as muitas possibilidades para o que as ações do seu parceiro significam. Como a tulipa, seu parceiro está sempre mudando.

Se você se recusar a lutar, o conflito fracassa e proporciona uma oportunidade de florescer

Mas e se os problemas de você e do seu parceiro forem mais sérios do que uma batalha pelo espaço da geladeira? E se o seu parceiro proferir observações sarcásticas destinadas a causar dor, ou mesmo fizer um balanço na sua cabeça? Em primeiro lugar, você tem que ter certeza de que está fisicamente seguro. Uma perspectiva budista nunca seria estar lá consciente. Mas depois, o budismo oferece uma perspectiva sobre o que fazer a seguir. Os parceiros que se deixam levar por comportamentos abusivos estão tentando atingir algum objetivo, muitas vezes para se sentirem melhor, reforçar a auto-estima e reificar o self. Eles estão confusos sobre como aliviar seu próprio sofrimento. Se você entende a raiz de sua agressão, é mais fácil estimular a compaixão e a empatia por eles. Compaixão não significa que você concorda em ser um saco de pancadas. Mas dá-lhe espaço para pensar em maneiras de impedir que os outros o prejudiquem mais e de se prejudicarem.

Um grande exemplo aconteceu em dezembro de 2017, quando a atriz Sarah Silverman foi controlada no Twitter por Jeremy Jamrozy, que a chamou de "boceta". Em vez de retroceder ou ignorar o Tweet, Silverman respondeu com compaixão. Ela leu o perfil de Jamrozy no Twitter e imaginou que ele estava sendo abusivo porque estava com muita dor. Ela começou uma conversa com ele, ele pediu desculpas, e Silverman o ajudou a procurar um especialista em retaguarda. A história se tornou viral e Jamrozy estabeleceu uma campanha de crowdfunding para seus US $ 150 em despesas médicas. A campanha levantou mais de US $ 4.500 - tudo porque Silverman teve tempo para entender os sentimentos por trás do insulto. Uma batalha requer dois oponentes, então se você se recusar a lutar, o conflito fracassa e proporciona uma oportunidade de florescer .

Claro, a compaixão às vezes não é suficiente para ajudar os outros a sair do labirinto de sua própria confusão. Sabedoria também significa saber quando sair do relacionamento. Uma abordagem budista é separar sem ser zangado e vingativo. A raiva é uma forma de ignorância da perspectiva da outra pessoa. Se você não consegue dissolver essa raiva com uma injeção de atenção plena, tente, no mínimo, tomar um pouco de compaixão de si mesmo.

A segunda sugestão inspirada pelo budismo para um relacionamento saudável é não ver o seu parceiro apenas em termos de si mesmo . Você provavelmente conhece algumas pessoas que pensam que tudo gira em torno delas. Eles fazem coisas para os outros porque lhes dá o que querem. Por exemplo, se você recebeu uma oferta de um novo emprego, seu parceiro pode pressionar você a negociar um salário mais alto, não para sua própria felicidade, mas porque você é o ingresso de refeição de seu parceiro. Você é tratado como um objeto enquanto seu parceiro se reifica. Em um relacionamento mais saudável , seu parceiro veria você como uma pessoa com seus próprios pensamentos, sentimentos, experiências e necessidades que são importantes para você. Não há problema em ganhar menos se for um trabalho mais satisfatório. Essa mentalidade, que os cientistas chamam de capacidade de resposta , mostra compaixão por você e, finalmente, reduz o sofrimento para você e seu parceiro.

A terceira sugestão derivada das idéias budistas é que as relações são construídas por duas pessoas em sincronia . Um conceito budista chamado mutualidade (ou carma compartilhado) significa que duas pessoas podem ter intenções e ações compartilhadas que levam a conseqüências compartilhadas. Na ciência do relacionamento, a mutualidade é chamada deinterdependência de metas.

A mutualidade é benéfica para relacionamentos românticos. Por exemplo, suponha que seu parceiro venha atrás de você e esfregue seus ombros. Talvez o gesto signifique que ele ou ela é grato por estar com você ou simplesmente quer estar perto de você. Ou talvez seja um pedido de sexo. De qualquer maneira, contanto que você e seu parceiro concordem com o significado - gratidão, proximidade, luxúria - vocês estão construindo seu relacionamento juntos. Em termos neurocientíficos, a mutualidade significa que as previsões lançadas pelo seu cérebro e pelo cérebro do seu parceiro no momento são compatíveis.

Mutualidade é sobre a criação de uma história juntos, como mais do que meros atores nas narrativas uns dos outros

Concordar não é suficiente, no entanto, se o seu parceiro também estiver reificando você: sentindo-se possessivo ao invés de agradecido, ou objetivando você ao invés de se conectar com você. Esses significados não tem nada a ver com você, por si só, e tudo a ver com os desejos do seu parceiro. Mesmo se você estiver de acordo, seu relacionamento está em apuros.Mutualidade é criar uma história juntos, compartilhar experiências onde você é mais do que meros atores nas narrativas uns dos outros.
Juntamente com nossos colegas Christy Wilson-Mendenhall, da Universidade de Wisconsin-Madison, e Paul Condon, da Southern Oregon University, estudamos casais para explorar as conexões entre o budismo, a união e os orçamentos corporais. Quando um casal interage, com que frequência eles se amam no momento? Quando conseguem acalentar um ao outro, isso leva a mais bondade, compaixão e um relacionamento mais saudável? E eles equilibram os orçamentos corporais um do outro no processo?

Até que nossos estudos estejam completos, o budismo continua sendo uma fonte intrigante de inspiração para a construção e manutenção de relacionamentos significativos. Como Markus escreve: "Você não pode ser um self sozinho".

Este ensaio foi possível através do apoio de uma bolsa da Templeton Religion Trust para Aeon. As opiniões expressas nesta publicação são do (s) autor (es) e não refletem necessariamente as opiniões do Templeton Religion Trust.
Financiadores para a Revista Aeon não estão envolvidos na tomada de decisões editorial, incluindo comissionamento ou aprovação de conteúdo.

Tuesday, September 18, 2018

Republico aqui um artigo de um sítio muito interessante, o AEON.


For centuries in the West, the idea of a morally good atheist struck people as contradictory. Moral goodness was understood primarily in terms of possessing a good conscience, and good conscience was understood in terms of Christian theology. Being a good person meant hearing and intentionally following God’s voice (conscience). Since an atheist cannot knowingly recognise the voice of God, he is deaf to God’s moral commands, fundamentally and essentially lawless and immoral. But today, it is widely – if not completely – understood that an atheist can indeed be morally good. How did this assumption change? And who helped to change it?

One of the most important figures in this history is the Huguenot philosopher and historian, Pierre Bayle (1647-1706). His Various Thoughts on the Occasion of a Comet (1682), nominally dedicated towards taking down erroneous and popular opinions about comets, was a controversial bestseller, and a foundational work for the French Enlightenment. In it, Bayle launches a battery of arguments for the possibility of a virtuous atheist.

He begins his apology on behalf of atheists with a then-scandalous observation: 

It is no stranger for an atheist to live virtuously than it is strange for a Christian to live criminally. We see the latter sort of monster all the time, so why should we think the former is impossible? 

Bayle introduces his readers to virtuous atheists of past ages: Diagoras, Theodorus, Euhemerus, Nicanor, Hippo and Epicurus. He notes that the morals of these men were so highly regarded that Christians later were forced to deny that they were atheists in order to sustain the superstition that atheists were always immoral. From his own age, Bayle introduces the Italian philosopher Lucilio Vanini (1585-1619), who had his tongue cut out before being strangled and burned at the stake for denying the existence of God. Of course, those who killed Vanini in such a fine way were not atheists. The really pressing question, Bayle suggests, is whether religious believers ­– and not atheists – can ever be moral.

Bayle concedes that Christians possess true principles about the nature of God and morality (we’ll never know whether Bayle himself was an atheist). But, in our fallen world, people do not act on the basis of their principles. Moral action, which concerns outward behaviour and not inward belief, is motivated by passions, not theories. Pride, self-love, the desire for honour, the pursuit of a good reputation, the fear of punishment, and a thousand customs picked up in one’s family and country, are far more effective springs of action than any theoretical beliefs about a self-created being called God, or the First Cause argument. Bayle writes:

Thus we see that from the fact that a man has no religion it does not follow necessarily that he will be led to every sort of crime or to every sort of pleasure. It follows only that he will be led to the things to which his temperament and his turn of mind make him sensitive.

Left alone to act on the basis of their passions and habitual customs, who will act better: an atheist or a Christian? Bayle’s opinion is clear from the juxtaposition of chapters devoted to the crimes of Christians and chapters devoted to the virtues of atheists. The cause of the worst crimes of Christians is repeatedly identified as false zeal, a passion that masquerades as the love of God but that really amounts to politico-religious partisanship mixed with hatred of anyone who is different. Bayle’s survey of recent religious wars demonstrated in his mind that religious beliefs enflame our more violent tendencies:

We know the impression made on people’s minds by the idea that they are fighting for the preservation of their temples and altars … how courageous and bold we become when we fixate on the hope of conquering others by means of God’s protection, and when we are animated by the natural aversion we have for the enemies of our beliefs.

Atheists lack false religious zeal, so we can expect them to live quieter lives.

Yet Bayle does not fully establish the possibility of a virtuous atheist. The kind of behaviour that he focuses on is merely superficially good. In Bayle’s time, to be truly good was to have a conscience and to follow it. In the Various Thoughts, he doesn’t declare that atheists can have a good conscience. In fact, Bayle’s pessimism reaches its pinnacle in a thought experiment involving a visit from an alien species. Bayle claims that it would take these aliens less than 15 days to conclude that people do not conduct themselves according to the lights of conscience. In other words, very few people in the world are, properly speaking, morally good. So atheists are merely no worse than religious believers, and on the surface they might even appear morally superior. While this is less ambitious than claiming that atheists can be completely virtuous, it is still a milestone in the history of secularism.

Bayle expanded on his Various Thoughts twice in his career, once with Addition to the Various Thoughts on the Comet (1694) and again with Continuation of the Various Thoughts on the Comet (1705). In this latter work, Bayle established the foundations of a completely secular morality according to which atheists could be as morally virtuous as religious believers. He begins his discussion of atheism with the strongest objection he could muster against the possibility of a virtuous atheist:

Because [atheists] do not believe that an infinitely holy Intelligence commanded or prohibited anything, they must be persuaded that, considered in itself, no action is either good or bad, and that what we call moral goodness or moral fault depends only on the opinions of men; from which it follows that, by its nature, virtue is not preferable to vice.

The challenge Bayle undertakes is to explain how atheists, who do not recognise a moral cause of the Universe, can nevertheless recognise any kind of objective morality.

He offers an analogy with mathematics. Atheists and Christians will disagree about the foundation of mathematical truths. Christians believe that God is the source of all truth, while atheists do not. However, metaphysical disagreements over the source of the truth of triangle theorems make no difference when it comes to proving triangle theorems. Christians and atheists all come to the conclusion that the sum of the angles inside every triangle is equal to two right angles. For the purposes of mathematics, theological views are irrelevant. Similarly for morality: whether one believes that the nature of justice is grounded in the nature of God or in the nature of a godless Nature makes no difference. Everyone agrees that justice requires that we keep our promises and return items that we have borrowed.

Bayle’s most surprising argument is that Christians and atheists are in agreement about the source of the truths of morality. The vast majority of Christians believe that God is the source of moral truths, and that moral truth is grounded in God’s nature, not in God’s will or choice. God cannot make killing innocent people a morally good action. Respecting innocent life is a good thing that reflects part of God’s very nature. Furthermore, according to Christians, God did not create God’s nature: it has always been and always will be what it is.

At bottom, these Christian views do not differ from what atheists believe about the foundation of morality. They believe that the natures of justice, kindness, generosity, courage, prudence and so on are grounded in the nature of the Universe. They are brute objective facts that everyone recognises by means of conscience. The only difference between Christians and atheists is the kind of ‘nature’ in which moral truths inhere: Christians say it is a divine nature, while atheists say it is a physical nature. Bayle imagines critics objecting: how can moral truths arise from a merely physical nature? This is indeed a great mystery – but Christians are the first to declare that God’s nature is infinitely more mysterious than any physical nature, so they are in no better position to clarify the mysterious origins of morality!

According to the Canadian philosopher Charles Taylor, our age became secular when belief in God became one option among many, and when it became clear that the theistic option was not the easiest one to espouse when theorising about morality and politics. Through his reflections on atheism over three decades, Bayle demonstrated that resting morality on theology was neither necessary nor advantageous. For that reason, Bayle deserves much credit for the secularisation of ethics.Aeon counter – do not remove

Michael W Hickson

This article was originally published at Aeon and has been republished under Creative Commons.